Bondade
Passaram a semana planejando. Dezenas de jovens, atentos, unidos, esperançosos. E ainda dizem que o adolescente de hoje não tem consciência, só se preocupa com o próprio umbigo... bobagem. Não só estavam completamente compenetrados em tal empreitada, como levavam aquilo com bom humor e prazer. Por mais tensa que fosse a situação, por mais urgente que fosse a tomada de atitude, mantinham-se frios, astutos. A união do grupo poderia até não ser notada entre os membros, a atitude do herói é sempre notada tardiamente pelo mesmo, mas todos os que apoiavam a causa e observavam com esperança o desfecho da obra apreciavam aqueles jovens, já famosos por seus protestos. Eram adolescentes de classe média, que deixavam o conforto de seu lar, além de suas atividades cotidianas para se dedicar a uma causa que sabiam que valeria a pena. Chegado o grande dia, organizaram as faixas, os apitos, separaram os folders e saíram às ruas. Passando por ruas movimentadas, não havia quem não tivesse sua atenção presa, por segundos que fossem. Chegando à praça principal, fizeram uma corrente em torno da mangueira: as autoridades teriam que ouvir e desistir da medida; o protesto estava organizado, a sociedade mobilizada; impossível fazer algo com a árvore que esses jovens viram crescer e que com ela tiveram tanto carinho. Ali por perto, sentado na calçada, um mendigo segurava uma folha levantada à altura do rosto. O que não se sabe até hoje é se pretendia apenas proteger-se do sol ou assemelhar-se a uma pequena mangueira.