Não dá pra entender o motivo pelo qual as pessoas fogem com tanto desespero da solidão. Não há nada mais acolhedor do que a ausência do acolhimento humano, falso, pretensioso, displicente. Me pego às vezes questionando o motivo que me leva a fugir de todos. Não tenho medo, não tenho repúdio, não tenho ódio. Aliás, convivo com muitas pessoas diferentes entre si e para mim, com suas mais variadas ideias e atitudes. Acho interessante até, na maioria das vezes, só não consigo fazer com que essas relações ganhem maiores dimensões.
Sempre quis conhecer uma pessoa especial, daquelas dos filmes antigos de amor, dos romances românticos do século passado. Variava entre esperançoso e cético quanto à existência desse tipo de pessoa, pra conseguir esse tipo de relacionamento, com esse tipo de amor. E vejo hoje que um dos maiores motivos de querer tanto conhecer alguém é justamente pra ter alguém para acolher e ser acolhido, não precisando assim dividir mais nada com ninguém, poder esquecer do mundo de tempos e tempos e tentar sentir o gostinho da tão falada e nunca alcançada felicidade.
Não sei ao certo qual o meu problema, mas, se tento me socializar, me arrependo da tentativa tão logo ela tenha dado algum tipo de resultado. Já me disseram que sou megalomaníaco, que tenho algum outro tipo de transtorno ou que preciso ser mais humilde.
Qualquer que seja o problema, visto que me sinto bem, que ele continue a fazer parte da minha vida. Mas a verdade é que, apesar de não gostar de me socializar, além de só passar a confiar em alguém depois de incontáveis provas de fidelidade, não sinto o menor receio ao sair de casa e encarar quem quer que seja, da maneira que for, em qualquer situação. É a famosa ideia de "encarar a vida de peito aberto". Tenho meus medos, poucos sim, mas existentes. É um sentimento de autopreservação que qualquer pessoa minimamente sensata deveria carregar consigo. Mas é algo pequeno, que não incomoda. Por mais que, no fundo, eu saiba que isso é (muito) possível, não consigo conceber que um representante de uma raça tão burra e abobalhada possa me prejudicar.
Não sei o que é isso, mas não consigo sentir falta da convivência em sociedade. A pessoa que sempre sonhei conhecer, conheci, e isso foi a gota d'água pra que eu jamais precisasse sentir a necessidade de conhecer alguém. E realmente não sinto. Com meu amor ao meu lado, em meu confortável lar, me dê um livro e uma xícara de café e não precisarei de mais nada. Não sei se isso é um problema, uma doença, um distúrbio, mas não me importo com os outros. Simplesmente.