O importante é ser feliz

A evolução biológica e, consequentemente, a evolução da consciência humana nos deixou de herança situações bem antagônicas. De um lado o egoísmo, o individualismo exacerbado, o calculismo desnecessário, ou mesmo a pura maldade; de outro lado a perspicácia, criatividade, e, principalmente, a capacidade de se emocionar. Acredito que a eterna busca pela felicidade (a visita que se atrasa por horas a fio e que nem sempre chega) seja fruto exatamente desse antagonismo. Muitas vezes me pego perguntando "Dá pra ser feliz num mundo desses?" ao mesmo momento em que questiono "Dá pra não ser feliz com a vida?". É comum dizermos, mesmo que não concordemos, no fundo, que o importante é que nossos filhos sejam felizes, que não importa o dinheiro. O dinheiro importa sim, mas somente na medida em que exista para tapar um buraco que, se aberto, causaria grande transtorno e, fechado, deixa livre o território para o pleno exercício das idas e vindas do cotidiano. A capacidade de se emocionar, como já citei, aquela mania que temos (felizmente) de nos colocarmos no lugar dos outros, nos bota em uma posição que não pode, de maneira alguma, ser considerada a de simples macacos, como bradam muitos misantropos. Somos realmente especiais e, talvez com a evolução ainda maior da consciência e intelecto humanos, nossos descendentes tenham ainda mais recursos para alcançar a felicidade. Não acredito que o dinheiro seja importante, nem a posição social. Se preocupar com problemas futuros soa muito mesquinho. Se puder passar a calma de viver aos meus filhos, me darei por satisfeito.