O fim do sofrimento

Pessoas que sempre tive em grande conta, me decepcionaram. Não as culpo, mas o fato é que se afastaram. Por um motivo, um único motivo. Ideológico, vejam só. Mas se afastaram. O que eu tenho a dizer talvez soe de maneira violenta, mas essa não é, e, considerando meu atual estado de espírito, jamais poderia ser minha intenção.

Não considero o ateísmo a maior mudança da minha vida. Já disse muitas vezes até que tenho um profundo orgulho de ser ateu, mas agora vou me abster disso. O ateísmo não interessa. Num mundo sem a tal da crença em deuses, os ateus jamais existiriam. Falo de algo maior. Algo que realmente mudou minha vida: a capacidade de se espantar com a vida, concomitantemente ao ato de suprimir os julgamentos, sob quaisquer aspectos, apontando certezas somente quando embebido em provas irrefutáveis. Racionalidade. Tranquilidade. Bom senso.

O ateísmo me proporcionou isso, e é isso que me interessa. Não quero falar de ateísmo, quero falar de respeito, de reflexão, de estudo, de inteligência, de bom senso, de curiosidade, de admiração. Falo com toda a sinceridade do mundo: o ateísmo não me interessa, mas não posso deixar de dizer, em nome de tudo o que é importante pra mim, em nome das pessoas que eu amo, em nome de tudo o que possa ser bom e importante, que eu odeio, na maior das profundidades, toda e qualquer religião. Daria tudo pra ver destruído o último tijolo do último templo, da última mesquita, da última igreja. Perda cultural e histórica? Sim. Ganho pessoal e social? Sem dúvida. Nada na vida é de graça. Daria quase tudo pra viver num mundo sem a desgraça das religiões derramada nos olhos de pessoas que poderiam viver de verdade, mas já morreram em vida.

Espero não ter sido honesto demais.