A vida é muito maior que nossas cotidianas e fugazes relações. Por mais que para nós seja importantes o que entendemos e sentimos, o que escutamos e passamos adiante, seja para nossa sobrevivência ou pela busca do prazer e felicidade, a vida em si é muito maior.
Não querendo ignorar esse fator universal e abrangente, mas é duro perceber que se é humilhado sistematicamente e nada se pode fazer. Procuro evitar pensar no futuro como uma forma de escapismo, mas é praticamente inevitável.
Num primeiro momento, penso como as atitudes alheias, pateticamente dissimuladas, porcamente calculadas, reforçam ainda mais minhas opiniões. É impossível questionar o que acho certo observando que a parte que cabe á acusação se resume à frustração que advém da falta de coragem e perspectivas.
Num segundo momento, e certamente num ponto interessante de se tocar, reforço a ideia da grandeza da vida e repito que, por mais que valorize tal ideia, é absolutamente inevitável não me decepcionar, chorar e refletir muito sobre as atitudes que permeiam o cotidiano. Humilhações gratuitas, decepções assombrosas, hostilidades lamentáveis. A vida é um grande teatro, e, justamente por me apoiar, por enquanto, num futuro próximo, deixei que meu personagem entrasse em cena para polir meus recursos e complementar o que de bom pode haver nos dias próximos.
Não me assustarei, é claro, se eles, os que pretendem, deliberadamente ou não, de alguma forma me destruir, estiverem imersos numa atmosfera de satisfação por terem conseguido o que queriam. Não me assustarei se estiverem achando que eu me esqueci e que tudo será sempre como desejam.
Eu não vou esquecer.