Determinado indivíduo era apaixonado por determinada garota. Haveria uma festa de aniversário na pequena cidade em que moravam e ele percebeu a oportunidade perfeita para tentar algo. Essa garota, estudando em outra cidade e sem saber (e muito menos se importar) do que acontecia nos pensamentos de tal jovem, começou a namorar um elegante rapaz: eu.
A burrice do indivíduo em questão começa antes da festa: desejava não só conseguir algo com a garota (agora, minha namorada), como também se “vingar” da ex, que deveria ir à festa, por tê-lo abandonado (provavelmente, com razão).
E os problemas começam na festa, que representou meus primeiros passos no chão (de terra) da pacata e agradável cidade do interior (na verdade, há asfalto na rua central). Numa atitude transloucada, nosso colega perturbado, ao ser abordado com um pedido de licença (estava no meio do corredor) da minha namorada para ir ao banheiro, levantou severamente os braços como se desejasse gritar “Tire suas mãos de mim!” e permaneceu por bons minutos com um semblante de ódio incontido. Não preciso dizer que meu único desejo era o de acabar com a festa quebrando a mesa de bar em que estava na cabeça do nosso colega. Quem me conhece sabe muito bem disso. Mas ninguém ali me conhecia ainda, e não pretendia deixar minha namorada sem graça, já que a própria ignorou a situação.
Foram meses de indiretas descaradas na minha frente. Pensei que meu colega tinha desistido de tentar aparecer e transferido sua merecida dor de cotovelo para outro pilar de sua psique, mas como não é raro de acontecer, me enganei.
Eis que, dois anos e sete meses depois do primeiro incidente, numa festa de casamento, eu e minha namorada, procurando uma mesa para ficar, acabamos, é claro, na mesa dele. Longe de ser uma coincidência, isso era quase certo de acontecer num micro município de 3 mil habitantes em que os grupinhos não se desfazem.
Ironicamente, a disposição na mesa, em determinada parte, era: ele, eu, ela. Sim, estava ao lado dele. Bebendo minha agradável cerveja, me assusto com um grito vindo do além: “TUDO BEM???” “NÃO ME CONHECE MAIS NÃO?”. Sim, sim. Era nosso colega aparecido, nosso palhaço de circo do interior, nosso projeto de anão malabarista maneta, o Zacarias anônimo da nova geração. Não sei se pela resposta (“Sim”) por parte dela ou pela inexistência de satisfações (o Bob Sapp branco, desinchado e com nanismo esperava por isso, provavelmente), não falou mais nada durante horas e foi embora antes de todos. A festa prosseguiu naturalmente e chegamos felizes em casa, acompanhados de um agradável nascer do sol.
Sou calmo, tento ser, ou finjo ser, não sei. Mas como tudo na vida, a calma também acaba. Questão de (pouco) tempo.