A dualidade entre prazer e responsabilidade

Uma das minhas primeiras filosofias de vida, depois de ter abandonado por completo a religião e tentado por vários caminhos buscar alguma outra ideia sobre o mundo que me cerca, foi tirada da minha própria cabeça, com pouca influência de terceiros, já que a Filosofia propriamente dita foi uma das últimas coisas a que dediquei meu tempo de leitura.

A filosofia de vida em questão era: não há sentido na vida, se não houver prazer.

Não importa quanto tempo dure sua vida, faça o que te agrade e busque prazer nas experiências como se cada dia fosse o último, ou mesmo por agradecimento às circunstâncias por mais um dia de vida.

Ótimo, claro, plausível e, aparentemente, conclusivo. A resposta na vida, porém, não pode estar unicamente na busca pelo prazer.

É preciso batalhar pelo o que nós desejamos na nossa única passagem consciente pelo arranjo improvável de átomos que encerra nosso organismo e, mais do que isso, manter o que conquistamos. Porém, essa manutenção só existe através de muita responsabilidade e de clara maturidade perante os acontecimentos da vida.

Podemos fazer o que bem entendermos, mas não temos o direito de magoar terceiros ou destruir a vida alheia, seja da forma que for. Se um homem quer fazer o lhe vier pela cabeça, que faça. Mas é absolutamente indesejável que um homem faça o que bem entender tendo mulher e/ou filhos, só pra citar um exemplo.

A vida cobra seu preço e, a partir do momento que foi definido o que se deseja fazer, é rigorosamente necessário que se defina o preço a se pagar. Responsabilidade com os sentimentos e com o futuro alheios é o mínimo que pode-se pedir a um ser humano minimamente consciente.